António Vilar - Simão Botelho; Carmen Dolores - Teresa de Albuquerque; Eunice Colbert - Mariana; Assis Pacheco - Domingos Botelho / Camilo Castelo Branco; António Silva - João da Cruz; Barreto Poeira - Tadeu de Albuquerque; Igrejas Caeiro - Baltasar Coutinho; Óscar de Lemos - Arreeiro; Arminda Martins - D. Rita Preciosa e ainda: Emília de Oliveira; Alfredo Ruas; Silvestre Alegrim; Beatriz de Almeida; Sofia Santos; José Victor...
:sinopse:
Amor de Perdição é uma adaptação cinematográfica do romance homónimo de Camilo Castelo Branco feita pelo realizador António Lopes Ribeiro em 1943. Conta com António Vilar no papel de Simão Botelho, uma jovem Carmen Dolores como Teresa de Albuquerque e António Silva como João da Cruz. É considerada uma das mais fidedignas adaptações da famosa obra camiliana, tendo o diálogo sido respeitado quase na íntegra. É o filme de estreia de Carmen Dolores, que contava apenas com 19 anos na altura das rodagens.
Camilo Castelo Branco, nessa obra mostra uma visão mais ampla da sociedade de sua época, como por exemplo, a moral vigente. Discute a questão do casamento por encomenda. O casamento estava mais voltado para um acordo financeiro do que propriamente para a busca da felicidade. Discute-se, ainda o poder da burguesia que tem força para mudar as leis, ao seu bel-prazer. Isso fica evidenciado no episódio da prisão de Simão, quando seu pai procura salvá-lo da morte usando todo seu prestígio. A sociedade é vista de forma crítica, Camilo denuncia a hipocrisia burguesa. Nessas passagens, já podemos perceber uma certa influência do movimento Realista, o qual já se firmava no resto da Europa. A igreja é vista de forma negativa. Teresa quando pensa que vai encontrar a salvação no convento, se depara com a falsidade, com as intrigas e, sobretudo, com os vícios das freiras.
O fatalismo arrebatado e a tragédia amorosa entre Teresa de Albuquerque e Simão Botelho, que sobrevive ao litígio intolerante de suas nobres famílias. Destaque, ainda, para a letal rivalidade entre Simão e Baltasar Coutinho, primo e pretendente de Teresa, e para a incondicional protecção do ferreiro João da Cruz, e para a resignada adoração de sua filha, Mariana por Simão.