Governo e PSD chegaram a um entendimento para a viabilização do Orçamento de Estado (OE) para 2011, sendo que o acordo só deverá ser formalizado hoje. O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, e Eduardo Catroga, mandatado pelo maior partido da oposição, retomaram ontem as negociações, depois de terem chegado a um ponto de rutura na passada quarta-feira.
A pressão de Bruxelas e do FMI fizeram-se sentir e as duas equipas voltaram a sentar-se à mesa.
No mesmo dia, o Presidente da República reuniu-se com 18 dos 19 membros do Conselho de Estado e, no final, numa declaração inédita ao país, reforçou o seu apelo ao Governo e ao PSD para um rápido entendimento sobre o OE. “Ninguém pode demitir-se das suas responsabilidades”, avisou Cavaco Silva. “Na situação a que o país chegou, a aprovação do Orçamento do Estado é fundamental para obter os empréstimos externos”, alertou o Chefe de Estado, acrescentando que Portugal apresenta um “grave desequilíbrio das contas externas” e um “nível muito elevado de endividamento a que se juntou a crise financeira internacional”. Dessa forma, o Presidente da República defendeu que a atual situação económica “não se compadece com uma crise política”.
Espera, por isso, que o Executivo e o maior partido da oposição formalizem um acordo antes de quarta-feira, dia da votação na generalidade do OE. “Confio no sentido de responsabilidade do Governo e da oposição”, reforçou o Presidente da República na declaração aos portugueses.